Mas que absurdo! Como pode ele me querer d volta? Como pode ele se atrever a me dizer coisas desse tipo? Quem é ele para falar d amor? De compaixão? Quem é ele para falar de alguma coisa?
Isso é digno de piadinha de internet. Quando a gente se separa, ele fica todo meloso, todo bonito, todo"vou lutar por você"....Fica o herói dos livros de romance. Mas juntos, o inferno que se jubile em não ser como nós dois! A desgraça que louve não estar entre nós! O ódio se surpreende! A desavença se sente impotenta ao nos ver.
Não damos certo juntos! Óbvio, redundante, recíproco, retrógado. Não, não funciona. Claro que para ficarmos esse tempo todo juntos, rindo, aguentando as desavenças, tínhamos que gostar um do outro. Isso era real. O resto era farsa.
Agora vou para longe, para todos os outros lugares. Conhecer novas pessoas, novos namorados, novos amores, novos sonhos e novos desejos. Ele que fique. Ele que aprodreça na solidão e no remorso.
Não preciso mais disso.
Ah, mas se ele soubesse, se só soubesse que seu abraço bastava em meu dia, que sua voz firmava minha plenitude...Se só ele soubesse meu Deus!
Mas ele preferiu a escuridão. Preferiu a vida. A mim ficaram apenas as desculpas.
Eu mereço mais. Eu mereço o que ninguém jamais mereceu.
Ah mas se ele soubesse o quanto meu coração ainda grita "Dê uma nova chance, deixe ele voltar, deixe ele ligar, não seja bruta" Mas eu, na pura consciencia de meus atos digo altamente "Não vale a pena"
Ai Pessoa me diz..."Vale a pena sim, se a alma não é pequena"
Não me importo com poesia portuguesa. Pois eu mereço muito mais
Eu choro, eu grito, eu durmo. Mas acordo sabendo que isso vai acabar.
E finalmente acaba.
E confesso-lhes duramente uma coisa....Não o terei jamais. Aquele bastardo que morra!
Mas lá no fundo, nas memórias secretas, eu vejo nós dois. Sentados em um banco de madeira. Bebendo e rindo da vida...como se nada importasse.
E sempre estaremos lá....
Sozinhos...
Mas enfim, é só um sonho. Nem tudo vale a pena
E nem toda alma é pequena.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Estória em 2 p
Alguém nasceu. Alguém tinha um pai e uma mãe. Pai e mãe foram alguém há algum tempo. Alguém cresceu. Pai e mãe de alguém não se contentaram apenas em fazer alguém viver. Alguém foi doutrinado. Algúem adquiriu opinião. Alguém cresceu. Alguém brigou com os pais. Alguém não concordava mais. Alguém achou que era importante. Alguém achou que nqada era certo. Alguém revolucionou.
Alguém se frustrou. Alguém perdeu a linha. Alguém foi motivo de piada. Alguém cuspiu no espelho. Alguém não foi levado a sério.
Pais de alguém disseram que ele não era o filho. O que faz com que cortemos fora o primeiro parágrafo da história. Alguém não era importante mesmo. Então não há porque dizer sobre as lamentações dele. Eliminemos então, os dois primeiros parágrafos. Continuando:
Alguém olhou pro mundo, chorou e .....
Alguém se foi.
Fim da estória. Mas estórias são mentira. Mentiras são ilusórias. O que faz com que descartemos a estória inteira.
Além de ser mentirosa e falaciosa, é só sobre alguém...Que como todos os outros alguéns...
Acham que são todo mundo. Mas não são ninguém.
Alguém se frustrou. Alguém perdeu a linha. Alguém foi motivo de piada. Alguém cuspiu no espelho. Alguém não foi levado a sério.
Pais de alguém disseram que ele não era o filho. O que faz com que cortemos fora o primeiro parágrafo da história. Alguém não era importante mesmo. Então não há porque dizer sobre as lamentações dele. Eliminemos então, os dois primeiros parágrafos. Continuando:
Alguém olhou pro mundo, chorou e .....
Alguém se foi.
Fim da estória. Mas estórias são mentira. Mentiras são ilusórias. O que faz com que descartemos a estória inteira.
Além de ser mentirosa e falaciosa, é só sobre alguém...Que como todos os outros alguéns...
Acham que são todo mundo. Mas não são ninguém.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Diariniho
Ai meu queridíssimo e tão grandioso diário. Que saudades que eu fico de você. Hoje estou sentada na cantina da escola, ansiosamente esperando o Terry passar. Gente, ele é tão maravilhoso. Ele é tudo para mim. Ele, outro dia, tipo, me olhou sabe, e minhas amigas, minhas bests, ficaram tipo, nossa mano, caralho, ele é muito gato.
Queria tocá-lo. Mas só o faço com os olhos. Tão efêmeros. Minha promiscuidade torna-se instantaneamente pureza e aceitável honra de ser eu mesma. Minto então disfarçando o desejo primitivo com enfeites romanticos e de carência existencial. Sou tola, ou não sou?
Ah tipo meu diário...Agora assim escrevo com o intuito de camuflar minha pseudo-intelectualidade. É vero que é de imenso deleite escrever linguagem rebuscada. Não o pratico para evitar deboches alheios, como das pessoas que agora o leêm e certamente passaram longe em tal interpretação. Amo muito minhas amigas!
Sabe diário, em meio a tanto desprezo pela minha espécie...Não sei se escrevo garbosamente ou se me entrego de vez à futilidade. Fico na frágil ponte entre a tolice e a metafísica.
Sabe diário... O gatoro lá era deveras patético....Não sei por qual motivo fui tentar me enganar...
Oiiii diarinho...Descobri que tipo..tem um cara muitoo afim de mim sabe mano...Tipo..ligadãoo em mim. Sai meu..quero curtir a vida sabe...Quero Carpe Diem, Fugere Urbem! In vino veritas! Fiat lux! Sei lá.Fda-se mano. Vou ficar muuuuito bebada hoje.
Bêbada de desilusão..Como todo mundo
Mano...diario...eu to numa bad trip assim sabe....
Por que eu sou eu afinal? Não seria mais fácil negar minha própria existência e simplesmente sumir? Sou obrigado a rastejar feito verme em meio à podridão. Fingir que sou linda, sou diva, sou importante....Quero voltar ao estado mais simples..Quero ser um bando de átomos dispersados. Para quê me dar a inteligencia, se com ela percebo que minha irrelevância é comparável à de uma pedra no fundo do mar? Tivesse então me dado a condição de uma pedra. Não de um humano falho e desgostoso. De um humano errado e torto. Triste, pecador, infeliz...Que escreve. Conversa consigo próprio! Quem quer uma maldição dessas? Morrer de vergonha dos meus semelhantes? Vestir-me bem para chamar atenção dos meus parceiros de irrelevância?Deus me livre! Ficar bonita? Ficar diva? Ficar como? Sem nenhuma essencia interessante? Não não! Quero significado! Quero ser a significante...
Então diarinho lindo. Hoje eu escolhi um lugar tipo muiiiito legal pra ir. É tipo uma balada com um bar sabe...Muitos gatinhos. Vou toda produzida maano
Então renego a vida de uma vez por todas...
Meu diário super fofo!!! Hoje sabe quem morreu? Eu mesma! Agora aquela menina toda intelectual se foi. A que ficava escrevendo um monte de pessimismo em você há um tempo atrás. Ela se foi. Agora posso me divertir.
E finalmente viver de verdade
Queria tocá-lo. Mas só o faço com os olhos. Tão efêmeros. Minha promiscuidade torna-se instantaneamente pureza e aceitável honra de ser eu mesma. Minto então disfarçando o desejo primitivo com enfeites romanticos e de carência existencial. Sou tola, ou não sou?
Ah tipo meu diário...Agora assim escrevo com o intuito de camuflar minha pseudo-intelectualidade. É vero que é de imenso deleite escrever linguagem rebuscada. Não o pratico para evitar deboches alheios, como das pessoas que agora o leêm e certamente passaram longe em tal interpretação. Amo muito minhas amigas!
Sabe diário, em meio a tanto desprezo pela minha espécie...Não sei se escrevo garbosamente ou se me entrego de vez à futilidade. Fico na frágil ponte entre a tolice e a metafísica.
Sabe diário... O gatoro lá era deveras patético....Não sei por qual motivo fui tentar me enganar...
Oiiii diarinho...Descobri que tipo..tem um cara muitoo afim de mim sabe mano...Tipo..ligadãoo em mim. Sai meu..quero curtir a vida sabe...Quero Carpe Diem, Fugere Urbem! In vino veritas! Fiat lux! Sei lá.Fda-se mano. Vou ficar muuuuito bebada hoje.
Bêbada de desilusão..Como todo mundo
Mano...diario...eu to numa bad trip assim sabe....
Por que eu sou eu afinal? Não seria mais fácil negar minha própria existência e simplesmente sumir? Sou obrigado a rastejar feito verme em meio à podridão. Fingir que sou linda, sou diva, sou importante....Quero voltar ao estado mais simples..Quero ser um bando de átomos dispersados. Para quê me dar a inteligencia, se com ela percebo que minha irrelevância é comparável à de uma pedra no fundo do mar? Tivesse então me dado a condição de uma pedra. Não de um humano falho e desgostoso. De um humano errado e torto. Triste, pecador, infeliz...Que escreve. Conversa consigo próprio! Quem quer uma maldição dessas? Morrer de vergonha dos meus semelhantes? Vestir-me bem para chamar atenção dos meus parceiros de irrelevância?Deus me livre! Ficar bonita? Ficar diva? Ficar como? Sem nenhuma essencia interessante? Não não! Quero significado! Quero ser a significante...
Então diarinho lindo. Hoje eu escolhi um lugar tipo muiiiito legal pra ir. É tipo uma balada com um bar sabe...Muitos gatinhos. Vou toda produzida maano
Então renego a vida de uma vez por todas...
Meu diário super fofo!!! Hoje sabe quem morreu? Eu mesma! Agora aquela menina toda intelectual se foi. A que ficava escrevendo um monte de pessimismo em você há um tempo atrás. Ela se foi. Agora posso me divertir.
E finalmente viver de verdade
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Imortais
Correndo pela longa avenida, lá distante, agra próximo apenas ao limite do horizonte, estavam eles, dentro de um carro. Velocidade absurda, idéias mais absurdas ainda. De longe conseguia-se ver a fumaça de seus cigarros, o respingo de suas bebidas, e o eco aveludado de seu canto em uníssono. Eram jovens e viviam a vida. E diziam-se imortais
Ser imortal significava se sentir eterno e fazer daquele momento uma grande eternidade. Carpe diem, Viva La vida, qualquer frase referente à curtição.
De que se abastecia a mente dos jovens dauqele carro, no fim do horizonte? Sei que eles eram um pouco tristes, um pouco cabisbaixos. "Natural de ser humano". Falavam garbosas palavras, mesmo não sabendo o significado de nenhuma delas. Sozinhos, como já disse, eram tristes. Juntos, eram um corpo de um deus com poderes ilimitados. Daqueles deuses gregos, bonitos e imortais, gananciosos , que sempre se davam bem no final.
De longe eu ouvia seus gritos, seus sonhos, seus medos. Jovens tão contra a autoridade, tão revolucionários...Quase rasgavam suas roupas de grife de tão revoltados que ficavam. Quase quebravam seus cartões de crédito, de tão inconformados. Mas não se pode revolucionar tanto assim, não é?
Jovens que se iravam lá no final do horizonte e fumavam seus cigarros como seres cheios de desavença. Falavam de pobreza, como aquela provocada pela indústria que fazia seus cigarros. Mas cigarros não entravam em questão. Mas sim o sistema. Maldito sistema, lá do fim do horizonte até o outro lado da Terra, dominando mentes inocentes. Os jovens, cheios de amargura e vigor, não eram manipulados por nada, exceto para comprar cigarros e roupas legais. Para gastar com bebidas legais, com meninas bonitas...Se vestir bem, afinal, nem só de inteligência vive o jovem, não é mesmo?
Eram tão corajosos quando se juntavam. Derrubariam qualquer sistema que fosse, sentindo o poder da união...Lá no fim do meu horizonte. Idolatravam a libertinagem. A liberdade, o prazer. Porque pensar só em existencialismo é deveras broxante. Então combinaram, dentro do carro, dentro deles próprios, que a partir de então ninguém era de ninguém. Chega de obedecer às regras do sistema de juventude subversiva, quer dizer, de juventude alienada.
A libertinagem os possuía então. Era a festa, a orgia, a grandessíssima sensação de não estar preso. Somente preso à liberdade. Uma prisão tão difícil de sair que eles nem podiam imaginar.
Mas junto da liberdade vem também seus amigos. Um deles chama-se ciúme. Famoso por aí, entre os humanos. E o ciúme veio e torturou-os.
Ai não bastava mais acender um cigarro e esquecer da vida. Não bastava mais ser comunista de cafés caros. Agora a dor do que se chama de paixão brota e cresce velozmente. Agora se tornam inimigos, e amam aquela menina que está com aquele cara, com aquela libertinagem, com aquela liberdade. Então ruínam seus sonhos, queima em suas entranhas a vontade de ser jovem. Morrem lentamente. Abre-se então o baú da insanidade, amiga da liberdade, vizinha do ciúme, e devorados os jovens são. São devorados a ponto de ficarem loucos, de sentirem vontade de correr mais com o carro, e correr e correr, até voar da Terra, até sumir do mundo. Então um jovem motorista se embriaga e bate o carro com seus 10 amigos libertinosos e imortais. E isso é a manchete do jornal do vizinho. E parentes choram. Os jovens..Ah...são imortais. Jamais que a dor de existir iria apavorá-los.
Ai morrem...Ai não existem mais.
Ai , lá no fim do horizonte, lá do outro lado do mundo... Lá eles finalmente envelhecem
Ser imortal significava se sentir eterno e fazer daquele momento uma grande eternidade. Carpe diem, Viva La vida, qualquer frase referente à curtição.
De que se abastecia a mente dos jovens dauqele carro, no fim do horizonte? Sei que eles eram um pouco tristes, um pouco cabisbaixos. "Natural de ser humano". Falavam garbosas palavras, mesmo não sabendo o significado de nenhuma delas. Sozinhos, como já disse, eram tristes. Juntos, eram um corpo de um deus com poderes ilimitados. Daqueles deuses gregos, bonitos e imortais, gananciosos , que sempre se davam bem no final.
De longe eu ouvia seus gritos, seus sonhos, seus medos. Jovens tão contra a autoridade, tão revolucionários...Quase rasgavam suas roupas de grife de tão revoltados que ficavam. Quase quebravam seus cartões de crédito, de tão inconformados. Mas não se pode revolucionar tanto assim, não é?
Jovens que se iravam lá no final do horizonte e fumavam seus cigarros como seres cheios de desavença. Falavam de pobreza, como aquela provocada pela indústria que fazia seus cigarros. Mas cigarros não entravam em questão. Mas sim o sistema. Maldito sistema, lá do fim do horizonte até o outro lado da Terra, dominando mentes inocentes. Os jovens, cheios de amargura e vigor, não eram manipulados por nada, exceto para comprar cigarros e roupas legais. Para gastar com bebidas legais, com meninas bonitas...Se vestir bem, afinal, nem só de inteligência vive o jovem, não é mesmo?
Eram tão corajosos quando se juntavam. Derrubariam qualquer sistema que fosse, sentindo o poder da união...Lá no fim do meu horizonte. Idolatravam a libertinagem. A liberdade, o prazer. Porque pensar só em existencialismo é deveras broxante. Então combinaram, dentro do carro, dentro deles próprios, que a partir de então ninguém era de ninguém. Chega de obedecer às regras do sistema de juventude subversiva, quer dizer, de juventude alienada.
A libertinagem os possuía então. Era a festa, a orgia, a grandessíssima sensação de não estar preso. Somente preso à liberdade. Uma prisão tão difícil de sair que eles nem podiam imaginar.
Mas junto da liberdade vem também seus amigos. Um deles chama-se ciúme. Famoso por aí, entre os humanos. E o ciúme veio e torturou-os.
Ai não bastava mais acender um cigarro e esquecer da vida. Não bastava mais ser comunista de cafés caros. Agora a dor do que se chama de paixão brota e cresce velozmente. Agora se tornam inimigos, e amam aquela menina que está com aquele cara, com aquela libertinagem, com aquela liberdade. Então ruínam seus sonhos, queima em suas entranhas a vontade de ser jovem. Morrem lentamente. Abre-se então o baú da insanidade, amiga da liberdade, vizinha do ciúme, e devorados os jovens são. São devorados a ponto de ficarem loucos, de sentirem vontade de correr mais com o carro, e correr e correr, até voar da Terra, até sumir do mundo. Então um jovem motorista se embriaga e bate o carro com seus 10 amigos libertinosos e imortais. E isso é a manchete do jornal do vizinho. E parentes choram. Os jovens..Ah...são imortais. Jamais que a dor de existir iria apavorá-los.
Ai morrem...Ai não existem mais.
Ai , lá no fim do horizonte, lá do outro lado do mundo... Lá eles finalmente envelhecem
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Não sei quanto o mundo é bom...
Soube de uma história, intrigante como toda história deve ser.
Que era de uma menina, tão linda, cabelos tão longos, sorriso tão eterno...
Menina de imagens bonitas, de idéias confrontantes. Como qualquer uma deveria ser.
E de um menino, confuso, silencioso...Sonhador...
E de um amor que parecia não dar certo.
Da menina linda, foto de fundo de tela.
Do menino, poeta apaixonado, adormecido em seus próprios sonhos.
Ele gostava de flores.
Ela não
Ele trouxe flores
Ela não
Ele enfeitou sua vida de flores. Porque as flores, eram como verdades absolutas, como sentimentos concretizados. Eram tudo que não podia ser escrito em seus poemas, em seus sonhos...
Ela não chorava jamais, apenas sorria. Apenas ignorava flores.
Flores, as coitadas, envelhecem.
Homens também.
A menina linda continuou a sorrir
O menino continuou a trazer flores.
Umas morreram, outras ainda não.
Pra que flores...
Pra que flores...
A menina cresceu. A menina foi-se embora
O menino...não sei dele ao certo.
Sei das flores.
Estão lá. Estão na história.
Quão complicado é escrever sobre amor.
Quão simples é escrever sobre flores.
O menino descobriu isso. E chorou.
A menina não descobriu, continuou a sorrir e foi embora.
E de seu sorriso, não nasceu nada.
E do choro dele
Nasceram flores
Que duraram para sempre
Que era de uma menina, tão linda, cabelos tão longos, sorriso tão eterno...
Menina de imagens bonitas, de idéias confrontantes. Como qualquer uma deveria ser.
E de um menino, confuso, silencioso...Sonhador...
E de um amor que parecia não dar certo.
Da menina linda, foto de fundo de tela.
Do menino, poeta apaixonado, adormecido em seus próprios sonhos.
Ele gostava de flores.
Ela não
Ele trouxe flores
Ela não
Ele enfeitou sua vida de flores. Porque as flores, eram como verdades absolutas, como sentimentos concretizados. Eram tudo que não podia ser escrito em seus poemas, em seus sonhos...
Ela não chorava jamais, apenas sorria. Apenas ignorava flores.
Flores, as coitadas, envelhecem.
Homens também.
A menina linda continuou a sorrir
O menino continuou a trazer flores.
Umas morreram, outras ainda não.
Pra que flores...
Pra que flores...
A menina cresceu. A menina foi-se embora
O menino...não sei dele ao certo.
Sei das flores.
Estão lá. Estão na história.
Quão complicado é escrever sobre amor.
Quão simples é escrever sobre flores.
O menino descobriu isso. E chorou.
A menina não descobriu, continuou a sorrir e foi embora.
E de seu sorriso, não nasceu nada.
E do choro dele
Nasceram flores
Que duraram para sempre
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
A garota que não amou
Lá pra mais longe do que eu podia avistar, havia essa garota a qual o título se refere. Hei de perder meu tempo descrevendo-a? Pouco provável.
De que vale falar de roupas, de estilo, de gestos, quando explode-se em nossa cara a dolorosa verdade de que havia lá uma menina que não amava?
Quem quer saber de beleza, de vontades e de sonhos, quando sabe de uma menina que nunca amou?
Ai levanta-se a oposição. A oposição contra mim era a própria menina. Ela dizia:
-Sobre mim nada sabes, estúpido narrador onisciente. Onisciente coisa nenhuma.
Eu me afastava dela, não queria que ela me visse. Na verdade, eu podia ficar em qualquer lugar que saberia o que ela pensa e o que ela faz. Porque sou , como ela mesmo diz...onisciente. Pelo menos dentro da anedota. E quem um dia lhe disse que pessoas oniscientes não possuem o medo do desconhecido ? (ou deveria dizer conhecido?)
Ela gritava
-Você é narrador em terceira pessoa, mas é a milésima pessoa que narra sobre mim. Não é onisciente. Você nunca saberá como é não saber de tudo. Ter curiosidade. O que você sabe sobre curiosidade? O que você sabe sobre mistério? O que você sabe sobre sonhos? Você já sabe tudo. Não tem a sensação de ignorancia. Que vida horrível deves ter! Não sabe o que é não saber! Não sabe o que é não saber. No que voce pensa? Seu narrador de merda! Fale de você mesmo! Fale !
Eu via que ela tocava piano, variava entre duas marcas de cigarro, guardava plantas em um caderno e guardava absolutamente todos os seus sentimentos em uma caixinha, dentro de sua cabeça. E nem ela tinha coragem de abrir.
Sabe aqueles filmes fofos nos quais há uma garota que diz ao garoto que gosta de sentar em determinado lugar todos os dias, porque lá ela se sente bem? Sabe esse exato sentimento que não possui alguma palavra específica? Sabe quando voce saía da escola em um dia de sol e ia caminhando para dar um "rolê" com seu amigo ou amiga, e sentia uma certa coisa? E não há nome para essa coisa. Imagina, querer chamar tudo de felicidade, tudo de amor.
Ela foi envelhecendo com seu próprio peso existencial. Ela lia a si própria, era magica, cheia de mistérios. Mas ela nunca queria saber as respostas. Ela olhava para mim e gritava cada vez mais alto:
-Como voce é covarde! Fale de si mesmo. Você jamais me terá de volta!
Pobre garota. Achava que eu buscava ser o que eu era antes. Não. Eu buscava o que havia dentro daquela caixa, em sua mente, que ela nunca quis abrir. Todos os seus sentimentos eram como moscas voando em um dia quente. Pousavam nela, a incomodavam, mas ela nunca conseguia matá-los. Sempre que tentava, acertava a si própria. E eu, narrador onisciente...sabia de uma coisa...da falta que ela me fazia.
-Desgraçado...vá embora
Ai eu fui. E deixei que ela fosse também. Não diria o óbvio para ela. Não diria que era grato por tudo e que desejava ela feliz agora. Desejava ela naquele canto do mundo, naquelas casas todas iguais, naquele por-do-sol, com aquela sombra de dúvida, com aquela exarcebação da normalidade, e com aquele leve gostinho que se escondia por trás de tudo, aquele gosto de desespero. Mas com a certeza de que tudo estava nos conformes.
E eu com a certeza de que era útil para alguma coisa que a ajudasse.
Mas a caixinha, ahhh, ela guardou consigo. Levou embora.
Ou a deixou em um dos cantos daquele canto do mundo.
Era magia, magia do eterno. Era estar em um pedaçinho de sonho, em um mar de dúvida. Era estar em lugar nenhum.
Ai ela me odiou para sempre. Mas ela sente a falta de um como eu, que sempre disse para ela jogar a caixinha no mar, ou queima-la junto ao fogo de seu isqueiro.
Mas éramos narrador e protagonista. Jamais pude sair desse lugar.
Oque me intriga..O que mais me intriga...
Ah Céus, o que me deixa eternamente confuso...
É ter a certeza de que narro....Ou de que esstou sendo narrado
Por aquela protagonista.
Longe, em qualquer canto do mundo. Em todo o lugar.....
Em lugar nenhum
De que vale falar de roupas, de estilo, de gestos, quando explode-se em nossa cara a dolorosa verdade de que havia lá uma menina que não amava?
Quem quer saber de beleza, de vontades e de sonhos, quando sabe de uma menina que nunca amou?
Ai levanta-se a oposição. A oposição contra mim era a própria menina. Ela dizia:
-Sobre mim nada sabes, estúpido narrador onisciente. Onisciente coisa nenhuma.
Eu me afastava dela, não queria que ela me visse. Na verdade, eu podia ficar em qualquer lugar que saberia o que ela pensa e o que ela faz. Porque sou , como ela mesmo diz...onisciente. Pelo menos dentro da anedota. E quem um dia lhe disse que pessoas oniscientes não possuem o medo do desconhecido ? (ou deveria dizer conhecido?)
Ela gritava
-Você é narrador em terceira pessoa, mas é a milésima pessoa que narra sobre mim. Não é onisciente. Você nunca saberá como é não saber de tudo. Ter curiosidade. O que você sabe sobre curiosidade? O que você sabe sobre mistério? O que você sabe sobre sonhos? Você já sabe tudo. Não tem a sensação de ignorancia. Que vida horrível deves ter! Não sabe o que é não saber! Não sabe o que é não saber. No que voce pensa? Seu narrador de merda! Fale de você mesmo! Fale !
Eu via que ela tocava piano, variava entre duas marcas de cigarro, guardava plantas em um caderno e guardava absolutamente todos os seus sentimentos em uma caixinha, dentro de sua cabeça. E nem ela tinha coragem de abrir.
Sabe aqueles filmes fofos nos quais há uma garota que diz ao garoto que gosta de sentar em determinado lugar todos os dias, porque lá ela se sente bem? Sabe esse exato sentimento que não possui alguma palavra específica? Sabe quando voce saía da escola em um dia de sol e ia caminhando para dar um "rolê" com seu amigo ou amiga, e sentia uma certa coisa? E não há nome para essa coisa. Imagina, querer chamar tudo de felicidade, tudo de amor.
Ela foi envelhecendo com seu próprio peso existencial. Ela lia a si própria, era magica, cheia de mistérios. Mas ela nunca queria saber as respostas. Ela olhava para mim e gritava cada vez mais alto:
-Como voce é covarde! Fale de si mesmo. Você jamais me terá de volta!
Pobre garota. Achava que eu buscava ser o que eu era antes. Não. Eu buscava o que havia dentro daquela caixa, em sua mente, que ela nunca quis abrir. Todos os seus sentimentos eram como moscas voando em um dia quente. Pousavam nela, a incomodavam, mas ela nunca conseguia matá-los. Sempre que tentava, acertava a si própria. E eu, narrador onisciente...sabia de uma coisa...da falta que ela me fazia.
-Desgraçado...vá embora
Ai eu fui. E deixei que ela fosse também. Não diria o óbvio para ela. Não diria que era grato por tudo e que desejava ela feliz agora. Desejava ela naquele canto do mundo, naquelas casas todas iguais, naquele por-do-sol, com aquela sombra de dúvida, com aquela exarcebação da normalidade, e com aquele leve gostinho que se escondia por trás de tudo, aquele gosto de desespero. Mas com a certeza de que tudo estava nos conformes.
E eu com a certeza de que era útil para alguma coisa que a ajudasse.
Mas a caixinha, ahhh, ela guardou consigo. Levou embora.
Ou a deixou em um dos cantos daquele canto do mundo.
Era magia, magia do eterno. Era estar em um pedaçinho de sonho, em um mar de dúvida. Era estar em lugar nenhum.
Ai ela me odiou para sempre. Mas ela sente a falta de um como eu, que sempre disse para ela jogar a caixinha no mar, ou queima-la junto ao fogo de seu isqueiro.
Mas éramos narrador e protagonista. Jamais pude sair desse lugar.
Oque me intriga..O que mais me intriga...
Ah Céus, o que me deixa eternamente confuso...
É ter a certeza de que narro....Ou de que esstou sendo narrado
Por aquela protagonista.
Longe, em qualquer canto do mundo. Em todo o lugar.....
Em lugar nenhum
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Trovoada do riso cap. 1
O espelho era bem objetivo. Aliás, era assustadoramente objetivo. Nada que houvesse de haver no mundo desviaria um espelho de seu único propósito de existencia; O propósito de refletir. Refletiria a tudo e a todos, sem nenhum preconceito, sem nenhuma desavença, sem nenhuma pergunta.
Atire a primeira pedra aquele que nunca ficou intrigado com a função do espelho. Aquele que nunca indagou em sua filosofia cotidiana o porquê do espelho refletir com tanta perfeição. É algo deveras mágico, poético, intrigante, e , por que não dizer, assustador . Parece que estamos na verdade enxergando nossa alma, viva em outro mundo. Em um mundo com tudo ao contrário, quem sabe. Com tudo desfeito. Com tudo certo, com tudo errado.
Divagações e mais divagações corriam pela mente de Victor, o inútil e feio palhaço protagonista dessa anedota para pessoas com tempo de sobra. Assim como cada ser humano desocupado, Victor sempre indagava sobre o ser-não-ser do próprio ser que era ele. Era um homem confuso, bobo, barato e superficial. Aproveitava seu momento de lucidez/insanidade em frente ao espelho com muito carinho, pois a qualquer hora iriam cortar sua luz e a escuridão que reinava em seus sonhos e em sua triste solidão iria novamente dominar o mundo.
Pensava que se não fosse palhaço talvez ganharia mais dinheiro. Talvez não morasse em uma pensão com mais 3 pessoas aleatórias, pobres e completamente indiferentes à sua vida. Mas se Victor fosse executivo, a gravata o enforcaria, a mala pesaria em seus dedos. O estresse de não poder pagar a conta de luz seria substituído pelo stresse de não ser promovido. De trabalhar 12 horas por dia. De se tornar uma máquina sem motivo de existência. Se fosse pianista, suas mãos doeriam com o piano. Teria de trocar as cordas, teria de tocar mais rápido. Ser melhor. Iria chorar em alguma parte da vida. Se fosse astronauta, nunca poderia sair daquela roupa, senão o vácuo o mataria. Só seria espectador do espaço, vendo o ponto azul cheio de pessoas tristes lá longe, chamado de Terra. Se fosse jogador de futebol, um dia não faria o gol, e morreria de fome.
Mas sendo palhaço, não precisava ser o melhor. Bastava ser funcional, bastava fazer rir. Bastava uma maquiagem, uma grande mentira nos olhos e um sorriso para entreter as crianças, futuros médicos, astronautas, empresários....Enfim, eram também futuros palhaços desse grande circo.
"Só assumi minha palhaçada com dignidade e sinceridade" Certo ele estava. Era bom ser ele. Era bom ser palhaço.
Atire a primeira pedra aquele que nunca ficou intrigado com a função do espelho. Aquele que nunca indagou em sua filosofia cotidiana o porquê do espelho refletir com tanta perfeição. É algo deveras mágico, poético, intrigante, e , por que não dizer, assustador . Parece que estamos na verdade enxergando nossa alma, viva em outro mundo. Em um mundo com tudo ao contrário, quem sabe. Com tudo desfeito. Com tudo certo, com tudo errado.
Divagações e mais divagações corriam pela mente de Victor, o inútil e feio palhaço protagonista dessa anedota para pessoas com tempo de sobra. Assim como cada ser humano desocupado, Victor sempre indagava sobre o ser-não-ser do próprio ser que era ele. Era um homem confuso, bobo, barato e superficial. Aproveitava seu momento de lucidez/insanidade em frente ao espelho com muito carinho, pois a qualquer hora iriam cortar sua luz e a escuridão que reinava em seus sonhos e em sua triste solidão iria novamente dominar o mundo.
Pensava que se não fosse palhaço talvez ganharia mais dinheiro. Talvez não morasse em uma pensão com mais 3 pessoas aleatórias, pobres e completamente indiferentes à sua vida. Mas se Victor fosse executivo, a gravata o enforcaria, a mala pesaria em seus dedos. O estresse de não poder pagar a conta de luz seria substituído pelo stresse de não ser promovido. De trabalhar 12 horas por dia. De se tornar uma máquina sem motivo de existência. Se fosse pianista, suas mãos doeriam com o piano. Teria de trocar as cordas, teria de tocar mais rápido. Ser melhor. Iria chorar em alguma parte da vida. Se fosse astronauta, nunca poderia sair daquela roupa, senão o vácuo o mataria. Só seria espectador do espaço, vendo o ponto azul cheio de pessoas tristes lá longe, chamado de Terra. Se fosse jogador de futebol, um dia não faria o gol, e morreria de fome.
Mas sendo palhaço, não precisava ser o melhor. Bastava ser funcional, bastava fazer rir. Bastava uma maquiagem, uma grande mentira nos olhos e um sorriso para entreter as crianças, futuros médicos, astronautas, empresários....Enfim, eram também futuros palhaços desse grande circo.
"Só assumi minha palhaçada com dignidade e sinceridade" Certo ele estava. Era bom ser ele. Era bom ser palhaço.
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